Microbiota vaginal: especialista alerta para hábitos que desequilibram a saúde íntima feminina

Tema ainda pouco discutido, a microbiota vaginal é considerada um marcador real de saúde da mulher e merece atenção médica regular
Raramente compreendida pelas mulheres, a microbiota vaginal é o conjunto de microrganismos, principalmente bactérias do gênero Lactobacillus, que habitam naturalmente a vagina e formam uma barreira de proteção fundamental ao organismo feminino. O tema tem ganhado espaço crescente na literatura médica, mas ainda enfrenta barreiras de desinformação entre o público geral.
O Dr. Alexandre Rossi, ginecologista responsável pelo Ambulatório de Ginecologia Geral do Hospital e Maternidade Leonor Mendes de Barros, em São Paulo, chama atenção para a importância de reconhecer os sinais que o corpo envia quando esse equilíbrio é rompido.
"A microbiota vaginal é um marcador real de saúde feminina, mas ainda muito subestimado. Quando há desequilíbrio, o corpo sinaliza. Saber reconhecer esses sinais é o primeiro passo para um cuidado de qualidade", afirma o especialista.
O que está em jogo
Quando em equilíbrio, a microbiota vaginal mantém o pH levemente ácido, entre 3,8 e 4,5, o que inibe a proliferação de fungos e bactérias nocivas. Qualquer alteração nesse ecossistema pode abrir caminho para infecções recorrentes, como candidíase e vaginose bacteriana, além de impactar a fertilidade e a saúde reprodutiva.
Entre os principais fatores que desequilibram a microbiota, o Dr. Alexandre Rossi destaca o uso de sabonetes com fragrância na região íntima, duchas vaginais, uso indiscriminado de antibióticos, alimentação rica em açúcar, estresse crônico e roupas íntimas sintéticas.
Desfazendo mitos
Um dos equívocos mais comuns é a ideia de que a vagina precisa ser "lavada por dentro" para se manter limpa. Na realidade, trata-se de um órgão autolimpante, ou seja, a higiene externa com água e sabonete de pH neutro é suficiente. Da mesma forma, corrimento claro e inodoro é fisiológico e faz parte do mecanismo natural de proteção.
O ginecologista reforça que a consulta regular é indispensável, mesmo na ausência de sintomas. "Muitas alterações da microbiota se instalam de forma silenciosa. O acompanhamento periódico permite identificar desequilíbrios antes que evoluam para infecções mais complexas", conclui.
Sinais de alerta
Quando há desequilíbrio, os sinais mais comuns incluem corrimento com odor ou coloração alterada, coceira, ardência e dor durante a relação. O Dr. Alexandre alerta que episódios recorrentes ou sem melhora em dois a três dias pedem avaliação imediata.
"Desequilíbrios sem tratamento podem evoluir para infecção pélvica, comprometer a fertilidade e até aumentar a vulnerabilidade a ISTs. Tratamento precoce é sempre mais simples e eficaz", reforça.




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